Deus é soberanamente justo e bom, porque espera sempre o retorno de quem quer que seja ao caminho do bem. E Ele aguarda no Espírito o progresso e não no corpo que é material, transitório e serve quantas vezes precisar de instrumento para o aprimoramento do Espírito, tornando-se assim puro, apto a ver o Reino de Deus em toda sua verdade.


"No Livro O Céu e o Inferno(agosto 1865), a Justiça Divina segundo o Espiritismo, Allan Kardec(AK) faz o exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual, sobre as penalidades e recompensas futuras, sobre os anjos e demônios, sobre as penas, etc..., seguido de numerosos exemplos acerca da situação real da alma durante e depois da morte."


Allan Kardec pesquizou inúmeras situações de Espíritos que já se encontravam no plano espiritual sem a veste física: De Espíritos felizes; de Espíritos em condições medianas; de sofredores; de Espíritos endurecidos; de criminosos revoltados por terem sido condenados à morte; de criminosos arrependidos e de suicidas.


UM ATEU

Entre várias evocações escolhemos a do ateu por identificar com uma causa generilizada: o materialismo.

M.J.B.D... era um homem instruído, mas em extremo saturado de idéias materialistas, não acreditando em Deus nem na existência da alma. A pedido de um parente, foi evocado dois anos depois de desencarnado, na Sociedade Espírita de Paris.

1. - Evocação - "Sofro. Sou um réprobo"

2. - Fomos levado a evocar-vos em nome de parentes que, como tais, desejam conhecer da vossa sorte. Podereis dizer-nos se esta nossa evocação vos é penosa ou agradável? - "Penosa."

3. - A vossa morte foi voluntária? - "Sim."

(AK- O Espírito escreve com extrema dificuldade. A letra é grossa, irregular, convulsa e quase ininteligível. Ao terminar a escrita encoleriza-se, quebra o lápis e rasga o papel)

4. - Tende calma, que nós todos pediremos a Deus por vós. -  "Sou forçado a crer nesse Deus."

5. - Que motivo poderia ter-vos levado ao suicídio? - "O tédio de uma vida sem esperança."

(AK - Concebe-se o suicídio quando a vida é sem esperança; procura-se então fugir-lhe a qualquer preço. Com o Espiritismo, ao contrário, a esperança fortalece-se porque o futuro se nos desdobra. O suicídio deixa de ser objetivo, uma vez reconhecido que apenas se isenta a gente do mal para arrostar com um mal cem vezes pior. Eis por que o Espiritismo tem seqüestrado muita gente a uma morte voluntária. Grandemente culpados são os que se esforçam por acreditar, com sofismas científicos e a pretexto de uma falsa razão, nessa idéia desesperadora, fonte de tantos crimes e males, de que tudo acaba com a vida. Esses serão responsáveis não só pelos próprios erros, como igualmente por todos os males a que os mesmos derem causa.)

6. - Quisestes escapar às vicissitudes da vida... Adiantastes alguma coisa? Sois agora mais feliz? - "Por que não existe o nada?"

7. - Tende a bondade de nos descrever do melhor modo possível a vossa atual situação. - "Sofro pelo constrangimento em que estou de crer em tudo quanto negava. Meu Eslpírito está como um braseiro, horrivelmente atormentado."

8. - Donde provinham as vossas idéias materialistas de outrora? - "Em anterior encarnação eu fora mau e por isso condenei-me na seguinte aos tormentos da incerteza, e assim foi que me suicidei."

( AK - Aquí todo um corolário de idéias. Muitas vezes nos perguntamos como pode haver materialistas quando, tendo eles passado pelo mundo espíritual, deveriam ter do mesmo a intuição; ora, é precisamente essa intuição que é recusada a alguns Espíritos que, conservando o orgulho, não se arrependeram das suas faltas. Para esses tais, a prova consiste na aquisição, durante a vida corporal e à custa do próprio raciocínio, da prova da existência de Deus e da vida futura que têm, por assim dizer, incessantemente sob os olhos. Muitas vezes, porém, a presunção de nada admitir, acima de si, os empolga e absorve. Assim, sofrem eles a pena até que, domado o orgulho, se rendem à evidência.)

9. - Quando vos afogaste, que idéias tinheis das conseqüências? Que reflexão fizestes nesse momento? - "Nenhuma, pois tudo era o nada para mim. Depois é que vi que, tendo cumprido toda a sentença, teria de sofrer mais ainda."

10. - Estais bem convencido agora da existência de Deus, da alma e da vida futura? - "Ah! Tudo isso muito me atormenta."

11. - Tornastes a ver vosso irmão? - "Oh! não."

12. - E por que não? - "Para que confundir os nossos desesperos? Exila-se a gente na desgraça e na ventura se reúne, eis o que é."

13. - Incomodar-vos-ia a presença de vosso irmão, que poderíamos atrai aí para junto de vós? - "Não o façais, que o não mereço."

14. - Por que vos opondes? - "Porque ele também não é feliz. "

15. - Receais a sua presença, e no entanto ela só poderia ser benéfica para vós. - "Não; mais tarde..."

16. - Tendes algum recado para os vossos parentes? - "Que orem por mim."

17. - Parece que na roda das vossas relações há quem partilhe das vossas opiniões. Quereis que lhes digamos algo a respeito? - "Oh! os desgraçados! Assim possam eles crer em outra existência, eis quanto lhes posso desejar. Se eles pudessem avaliar a minha triste posição, muito refletiriam. " (O Céu e o Inferno - Allan Kardec - edição 26 FEB pgs 312 a 314 )


Outra 
FRANÇOIS-SIMON LOUVET

A seguinte conunicação foi dada espontaneamente, em uma reunião espírita no Havre, a 12 de fevereiro de 1863.

 "Tereis piedade de um pobre miserável que passa de há muito por cruéis torturas?! Oh! o vácuo... o Espaço... despenco-me... caio... morro... Acudam-me! Deus, eu tive uma existência tão miserável... Pobre diabo, sofri fome muitas vezes na velhice; e foi por isso que me habituei a beber, a ter vergonha e desgosto de tudo...

Quis morrer, e atirei-me... Oh! meu Deus! Que momento! E para que tal desejo, quando o termo estava tão próximo? Orai, para que eu não veja incessantemente este vácuo debaixo de mim... Vou despedaçar-me de encontro a essas pedras! Eu vo-lo suplico, a vós que conheceis as misérias dos que não mais pertencem a esse mundo. Não me conheceis, mas sofro tanto... Para que mais provas? Sofro! Não será isso o bastante? Se eu tivera fome, em vez deste sofrimento mais terrível e aliás imperceptível para vós, não vecilaríeis em aliviar-me com uma migalha de pão. Pois eu vos peço que oreis por mim... Não posso permanecer por mais tempo neste estado... Perguntai a qualquer desses felizes que aqui estão, e sabeis quem fui. Orai por mim.

François-Simon Louvet. "
O guia do médium explica. -  "Esse que acaba de se dirigir a vós foi um pobre infeliz que teve na Terra a prova da miséria; vencido pelo desgosto, faltou-lhe a coragem, e, em vez de olhar para o céu como devia, entregou-se à embriaguez; desceu aos extremos últimos do desespero, pondo termo à sua triste provação: atirou-se da Torre Francisco I, no dia 22 de julho de 1857. Tende piedade de sua pobre alma, que não é adiantada, mas que lobriga da vida futura o bastante para sofrer e desejar uma reparação. Rogai a Deus lhe conceda essa graça, e com isso tereis feito obra meritória. "

Buscando-se informes a respeito, encontrou-se no Journal du Havre, de 23 de julho de 1857, a seguinte notícia local:

"Ontem, às 14 horas, os transeuntes do cais foram dolorosamente impressionados por um horrível acidente: - um homem atirou-se da torre, vindo despedaçar-se sobre as pedras. Era um velho puxador de sirga, cujo pendor embriaguez o arrastara ao suicídio. Chamava-se François-Victor-Simon Louvet. O corpo foi transportado para a casa de uma das suas filhas, à rua de la Corderie.

(AK - Seis anos fazia que esse homem morrera e ele se via ainda cair da torre, despedaçando-se nas pedras... Aterra-o o vácuo, horroriza-o a perspectiva da queda... e isso há 6 anos! Quanto tempo durará tal estado? Ele não sabe, e essa incerteza lhe aumenta as angústias. Isso não equivale ao inferno com suas chamas? Quem revelou e inventou tais castigos? Pois são os própiros padecentes que os vêm descrever, como outros o fazem das suas alegrias. E fizeram-no, muita vez, espontaneamente, sem que neles se pense - o que exclui toda hipótese de sermos nós o joguete da própria imaginação.)



 
 
 
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